|
 |
 |
|
Com que roupa eu vou? |
Data:
08/03/2010
Edição:
5146 |
|
Elas são coloridas, são feitas de plástico, enfeitam os braços das meninas mais antenadas na última tendência da moda e de quebra são assunto em todo o mundo. Refiro-me as polêmicas “pulseiras do sexo”. Muito tem se falado na grande mídia sobre o uso de tal adereço, se o mesmo é uma apologia à prática sexual ou apenas um artigo de beleza feminino. Para quem desconhece o assunto, cada cor da pulseira representaria um ato sexual. Se ela for estourada por um garoto, automaticamente a ação correspondente à cor deve ser efetuada pela menina. A partir desta semana, as alunas das escolas da rede municipal da cidade de Navegantes, em Santa Catarina estão proibidas de usar o enfeite, graças a uma lei municipal.
A questão que envolve tal tema é simples: a banalização do sexo. Logo, o uso de aparentemente “inocentes” pulseiras causam dúvidas em pais e educadores pelo mundo afora. Mas aqui o debate é outro. Com o passar dos anos muitos valores foram deixados de lado, o que pode explicar porque hoje a temática sobre a sexualidade é encarada como assunto obrigatório entre pais e filhos desde muito cedo.
Com o uso indiscriminado da Internet pode-se encontrar hoje na rede uma gama enorme de sites que exploram o assunto de forma inconsequente e não somente como informação. Ferramentas usadas inicialmente para estabelecer relacionamentos de amizade, como o Orkut e outras páginas do gênero, são utilizadas muitas vezes para exploração da sexualidade, seja de homens como de mulheres. Recentemente uma mídia ituana debateu o uso desse site com tal finalidade, onde meninas se expunham em trajes mínimos. O caso já está na esfera policial.
A inversão de valores vista no século atual ou podendo se dizer, a liberdade com que certos temas são encarados, podem explicar tanta exploração, como a prostituição juvenil e até mesmo a pedofilia.No início do século passado,por exemplo, homens e mulheres possuíam um estilo próprio para se vestir. Na época, a simples visão de um tornozelo feminino era um atrativo irresistível para os homens.
Calças compridas serviam somente à ala masculina e saias e vestidos às mulheres. Acompanhar uma celebração religiosa requeria roupas mais sóbrias. Ir a um enterro ou a um velório significava obrigatoriamente o uso do preto. Os anos foram passando e atualmente temos liberdade total na hora de comprar uma peça de vestuário seguindo ou não as tendências da moda, que muitas vezes nos impõe estilos mais sensuais nos modelos. E é aí que mora o perigo. Tal “tendência” muitas vezes pode significar vulgaridade. Segundo o artista plástico e poeta Almandrade, profissional ligado ao Museu do Traje e do Textil da Bahia, “a forma de vestir é um compromisso social, sexual e profissional. A riqueza do vestuário feminino com seus trajes de baile, festa, passeio, roupas íntimas, acessórios diversos, impressiona, assim como as roupas eclesiásticas com sua diversidade que obedece a uma outra ordem hierárquica e um outro sistema de significação. Vestir é um ritual, um gesto simbólico, um código. A roupa é a embalagem que envolve e protege a existência e a aparência do homem”.
Faltam dois dias para a comemoração do Dia Internacional da Mulher, uma data originária de manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. Essa celebração não foi criada em vão, mas sim para enaltecer a luta diária da mulher pela conquista de um espaço na sociedade, seja ela no campo profissional, para o ingresso em um sistema educacional ou simplesmente por reconhecimento da fibra de cada uma de nós.
Vamos todas nos lembrar que este é um direito conquistado. Devemos honrar nosso dia e os outros 364 dias em que não deixaremos de ser femininas e responsáveis por nossas ações perante a sociedade. Tanto nossas roupas como as já citadas pulseirinhas são nosso código e ele precisa ser analisado antes de sairmos às ruas exibindo tais adereços. A feminilidade nunca deve ser esquecida, afinal esta é uma qualidade que pertence à mulher e deve ser utilizada da melhor maneira. Com ela a atração e a sensualidade não serão perdidas, mas sim valorizadas.
Sarah Vasconcellos
Fica proibida a reprodução total ou parcial das reportagens do site sem autorizaçao prévia do editor. |
|
|