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O direto à representatividade
Data: 08/07/2010
Edição: 5200
Com o fim do primeiro semestre, chega também o início do recesso parlamentar do Legislativo Ituano. Hora mais do que oportuna para se analisar o desempenho deste Poder tão importante para o desenvolvimento da cidade e o bem estar da população.

O Legislativo em Itu possui 12 cadeiras - todas elas ocupadas por vereadores escolhidos por meio do voto direto: Luiz Francisco de Arruda Costa (DEM - presidente da Câmara), Benedito Roque de Moraes (PSDC - Lider do prefeito), Alcides Beluci Neto (PP), Givanildo Soares da Silva (PV), Sérgio Castanheira (PV), Emerson Cury (PTB), Nair Langue (PRB), Maria de Fátima Scavacini (PV), Luiz Henrique Adas Junqueira Schmidt (PDT); todos apoiadores do prefeito municipal, e os oposicionistas: Guilherme dos Reis Gazzola (PPS), Adauto Gonçales (PR) e Sérgio Luiz Corsi.

Como descrito acima, nove vereadores formam a base do governo, assim, o Poder Executivo tem uma liberdade quase ilimitada de governar sobre Itu. Isso torna nossa cidade, proprietária de uma política muito particular.

Se formos pensar tecnicamente, as Câmaras de vereadores servem para que os atos e decisões do governante sejam fiscalizados, modificados e discutidos democraticamente por representantes das mais diversas comunidades do município. Sim, o vereador é o seu representante. O trabalho dele é cuidar para que os interesses dos mais diversos setores da sociedade sejam cuidados.

Mas, em Itu as coisas parecem funcionar de uma maneira bem diferente. Não há discussão. O que existe no Legislativo ituano são longos monólogos, muitas vezes protagonizados pelos impotentes vereadores de oposição. Pouca coisa é modificada, já que os projetos enviados pelo Executivo invariavelmente são aprovados da maneira como são criados. E a fiscalização? Esse sim é o ponto de maior deficiência da Câmara de Itu. A base do governo não quer saber como está sendo investido o dinheiro da cidade.

Mais uma vez, para esclarecer, deve explicar que o vereador tem como O-BRI-GA-ÇÃO, fiscalizar a administração pública. A principal forma de fazer isso é o requerimento de informações; um documento em que o legislador apresenta algumas questões, coloca em votação entre os colegas e se a maioria dos vereadores concordar que as questões são válidas, a prefeitura é obrigada por lei a respondê-las oficialmente a Câmara. A base de governo não propõe requerimentos e quanto os vereadores da oposição os apresentam, eles conjuntamente votam contrários.

Chega a ser ridículo; o presidente da Câmara coloca os requerimentos em votação e começa a troca de olhares. Todos nós já sabemos como terminam essas votações: 8X3. Os três oposicionistas votam favorável, os outros 8 da situação votam contrário e Luiz Costa, como é presidente, não vota.

Aí eu me pergunto: será que é proibido perguntar? A população quer saber como é investido o dinheiro da educação, porque faltam médicos nos postos de saúde, quando serão asfaltadas nossas ruas...Porém nossos vereadores não querem, e o poder, infelizmente é deles.

Ou não. Afinal quem tem poder, e responsabilidade, tem liberdade, e ao que parece nossos vereadores não têm. Se tivessem votariam de forma independente, ou alguém acredita que os fiéis de Nair Langue, os jovens de Givanildo Soares, os pobres de Benedito Roque, os doentes de Emerson Cury, os amantes de animais de Sergio Castanheira e os desabrigados e Fátima Scavacini pensam exatamente igual? Querem as mesmas coisas? Estão plenamente satisfeitos com a administração municipal? Não tem nenhuma pergunta a fazer?

A resposta é não. Claro, que esses setores pensam diferentes, e por isso elegem representantes diferentes. Para ter a representatividade, que não tem.

O que diriam esses eleitores se soubessem que seus vereadores passam as sessões interias em seus respectivos celulares? É falta de respeito? Não, é falta de liberdade. A política de Itu chega ao cúmulo de nossos vereadores ficarem prestando satisfação e recebendo orientações da prefeitura durante a votação.

Falta liberdade, falta responsabilidade, falta coragem. Em itu, falta-nos representatividade.

Monica Seixas

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